segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

I Trail transfronteiriço de Barrancos

Passadas mais de 48 horas depois de acabar o trail estou sentado no sofá com a maior dor de pernas que tive desde que há memória. Preciso pedir por favor aos músculos para fazer o mais pequeno movimento e só de pensar em subir ou descer escadas doí... e só foram 17 kms.



Desta vez fomos na versão "Low cost" e ficámos a dormir no Pavilhão de Barrancos, resultado? Uma noite praticamente em branco, muito frio, chão mesmo muito duro e barulho até muito tarde e logo bem cedo. Contudo, foi rir do principio ao fim, o ambiente era de galhofa total e nós os dois no nosso cantinho rimos e brincámos com a situação.

Dia 30 alvorada dada bem cedo e quando saímos do pavilhão para ir tomar o pequeno almoço ao centro da Vila tivemos o primeiro contato com o frio da manhã, pelo menos não iria chover isso era certo, mas ía estar muito frio e tivemos de fazer algumas alterações na indumentária que tínhamos preparada para a prova.
O ambiente na Vila era de festa, muita gente na rua, muito convívio entre os atletas presentes e acima de tudo muito boa disposição e vontade de trilhar pelas terras alentejanas e espanholas.

Nós os dois ali à conversa, ainda a uns 15 minutos do tiro de partida. Foto de CCD o Alvitejo.
Aqui é já na altura do tiro de partida. Nós os dois estamos encostados ao pórtico da partida do lado esquerdo da foto. Foto de CCD o Alvitejo.
Eu ali em segundo lugar nos primeiros metros da prova. Foto de CCD o Alvitejo.
Ela, ao lado da atleta que acabaria por ser a vencedora feminina do trail. Foto de CCD o Alvitejo.
O primeiro km foi feito a muito bom ritmo apesar de ter algumas boas subidas ainda dentro da Vila. Assim que saímos da Vila e entrámos na trilha, meu Deus... só pensei: eu tenho que me sentar já aqui e descansar... ia com 1,5 km nas pernas SÓ. Era uma parede de pedras soltas a pique, literalmente, onde tinha que me agarrar a tudo à minha volta para conseguir subir. Nesta altura ia na terceira ou quarta posição, quando cheguei ao topo desta primeira MONTANHA DE ROCHA já tinha perdido 3 posições. 
Quando finalmente consegui tirar as mãos do chão e começar a arrastar-me correr comecei a ser ultrapassado por toda a gente. E... Foi assim que tive um pouco de glória, no primeiro km fui terceiro, depois morri, reduzi-me à minha insignificância e tive mais juízo. 
Depois da má experiência logo no segundo Km optei por atacar nos troços planos, e o resultado foi que, não ataquei, não havia troços planos... até ao primeiro abastecimento andava e gatinhava com as mãos nos joelhos nas subidas e pedia a todos os santinhos para me ajudarem nas descidas, pelo menos para me ampararem a queda.
Quando chego ao primeiro abastecimento vinha tão ofegante e tão cansado que só consegui beber meio copo de água, engasguei-me de tal maneira que acabei por ir embora cabisbaixo e ainda mais cansado. Depois do primeiro abastecimento vinha o maior troço de sentido descendente e acabei por conseguir ganhar fôlego e algum ânimo. Aproveitei a boa maré e peguei no iphone para registar o momento, ali algures entre Portugal e Espanha...

Lá em cima o primeiro abastecimento e depois por ali abaixo até aqui...

...e depois por ali, até onde a vista alcança...
No segundo abastecimento parei e comi de tudo o que havia na mesa, desde bananas a bolachas, frutos secos, marmelada e batatas fritas. Bebi 2 copos de coca-cola e um de groselha, quanto à água perdi a conta. Depois foi só rolar para os últimos kms com a sensação de dever cumprido, sabia que a partir dali ia conseguir acabar.

A chegar ao segundo abastecimento... bem visível o empeno que trazia!
Ali atrás vinha Ela  também a chegar ao segundo abastecimento.
A cortar a meta e a conferir o tempo final.  
No final deu 01:49:17 nos 17,3kms, fiquei classificado em 18º da geral e 11º do escalão.
Depois de comer qualquer coisa e beber uma água voltei para trás ao encontro dela. Mas não foi preciso andar muito, encontrei-a já na subida final a escassos metros da meta.

Ela lá em baixo na subida para a meta...
Aqui já a cortar a meta.
O tempo final dela foi 01:55:41, foi  2ª da geral feminina e 1ª do escalão. Eram 20 atletas femininas e 80 masculinos. Os prémios eram só para os três primeiros da geral feminina e masculina.

O pódio feminino.
E foi assim que se passou mais um excelente fim de semana a fazer-mos aquilo que mais gostamos. Uma prova muito dura para acabarmos as férias em grande e com um valente empeno para o resto da semana...

Até já e boas corridas!

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Cem anos de Maratona em Portugal

Desta vez o escolhido está relacionado com a comemoração dos cem anos da primeira Maratona em Portugal. O autor é António Manuel Fernandes e a primeira edição saiu a 19 de Novembro de 2010. 

O primeiro dado a revelar é relativo à primeira Maratona oficial realizada em Portugal. A saber, esta tinha 42.800 metros e realizou-se a 2 de Maio de 1910 em Lisboa. dos 12 participantes chegaram ao fim 10 e o vencedor foi o saudoso Francisco Lázaro que completou a distância em 02:57:35 e só 44 minutos depois chegou o 2º classificado.


Para quem quer saber mais sobre a Maratona este é o livro. Cheio de dados estatísticos sobre a Maratona e os grandes maratonistas Portugueses. Tem um pouco da história e lenda da primeira Maratona, sobre os jogos olímpicos, os primeiros e primeiras maratonistas no mundo e em Portugal. 
E o que mais gosto é as estórias dentro da história, aqueles pormenores que marcam determinados eventos, os acontecimentos caricatos  e as conquistas que até hoje permanecem inéditas e inigualáveis.

Por exemplo fiquei a saber que a primeira maratona realizada em Faro foi a 14 de Março de 1976 e a última a 10 de Outubro de 2010. 

Foto da partida da primeira Maratona realizada em Faro em 1976. o vencedor foi Anacleto Pinto do Benfica que terminou a prova com novo recorde nacional, 02:14:36.

Para além da história das maratonas em Portugal podemos também ler sobre aqueles que foram os grandes maratonistas Portugueses como Carlos Lopes e Rosa Mota. 

É um livro cheio de dados interessantes e alguns são mesmo caricatos, só mesmo lendo para se perceber o que se passa por detrás da organização de uma prova do género.
A propósito de aspectos caricatos ficou na história a Maratona de Faro em 1983 que se realizou a 9 de Abril às 17 horas da tarde com muito calor fazendo surgir a partir dai a anedota:
"já está marcada a próxima maratona nacional. Será no dia 5 de Agosto, às duas da tarde, com partida e chegada ao Hospital de Faro..."
No final do livro encontramos o apêndice estatístico onde se pode consultar todas as maratonas realizadas em Portugal, até à data da publicação do livro, com o número de participantes chegados à meta e o nome dos 3 primeiros classificados masculino e feminino. Temos também a lista de participações dos atletas Portugueses nas grandes competições, a evolução do recorde de Portugal de Maratona e a lista dos melhores Portugueses e Portuguesas com António Pinto como recordista com 02:06:36 em 2000 em Londres e Rosa Mota com 02:23:29 em 1985 em Chicago.

Até já e boas corridas!

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

FÉRIAS

As nossas merecidas férias não nos têm deixado muito tempo para escrever no blog mas são muitas as novidades que temos para contar. Todas estas novidades terão um post próprio a seu tempo. 
Mas posso adiantar alguma coisa:

Em primeiro lugar tivemos a oportunidade de fazer uma análise da passada bem mais personalizada do que as duas anteriores que realizámos na feira da corrida do Tejo e que pode ser consultada aqui. Esta nova análise foi realizada na loja da Asics em Portimão. A nível nacional é a única loja a realizar esta análise mais completa, estática e dinâmica, a mais próxima fica em Madrid.

Entretanto já estamos em contagem decrescente para a nossa estreia na maratona de Sevilha e o treino já está em marcha.

No próximo dia 30 de Novembro vamos a Barrancos participar no 1º Trail Transfronteiriço de Barrancos na versão de 19 km sendo que no mesmo dia se realizará o Ultra trail de 50kms e a caminhada de 17kms.

Talvez a novidade mais importante é a que vamos passar a treinar por um clube e assim teremos à nossa disposição toda a ajuda técnica necessária e passamos a ser federados. Não foi uma decisão tomada do pé pra mão, muito pelo contrário, daí a razão por ainda não termos mencionado nada aqui no blog apesar de já estarmos a treinar à 2 semanas.

Tenho também quase pronto um post com mais um livro mas ainda não sei pra quando será a publicação. Na estante temos ainda pelo menos uma dúzia por ler e reler e continuamos sempre atentos a novos livros publicados e claro abertos a sugestões.

Até já e boas corridas!

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

X Milhas do Guadiana

No passado domingo foi dia de nos estrearmos nas nossas primeiras X Milhas do Guadiana que já vão na 22ª edição, este ano no sentido Portugal-Espanha e com a introdução da passagem pela vila de Castro Marim.


Depois de uma semana cheios de trabalho e com pouco tempo para grandes treinos chegámos a domingo com o objectivo de nos divertirmos e desfrutarmos da prova mais emblemática do Algarve. Esta prova é , talvez, a mais esperada pelos atletas algarvios, sendo uma prova bastante competitiva.

A prova tinha início marcado para as 11 horas e nós chegamos bastante cedo, cerca das 9 horas para pudermos levantar os dorsais com calma e acima de tudo desfrutarmos ao máximo de todo aquele ambiente.

Eu, a entrar no estádio acabadinho de levantar os dorsais. Foto de Mário Toledo Rolla.
Todos os amigos e conhecidos do mundo da corrida estavam presentes ou a correr ou a apoiar, mas estavam lá. O ambiente era fantástico e só por isso valeu a pena.

Nós mais o restante grupo que correu com as cores da "Let´s Go". Foto de Luís Santos.
Chegado a hora de ir para a partida definimos a nossa estratégia. Eu iria com ela até ao Km 10 e assim ajudava na parte mais difícil da prova. Tudo a postos, é dado o tiro de partida e conseguimos sair quase juntos, inédito.

Nós os dois lado a lado ainda dentro do estádio. Foto de Mário Toledo Rolla. 
Os primeiros kms foram sempre feitos com muito vento contra a dificultar a progressão, aliás é sempre uma característica desta prova e já nos tinham alertado para este facto, daí também eu seguir junto dela neste primeiros kms na tentativa de conseguir "cortar" o vento e ela seguir colada a mim. Mas infelizmente desde cedo ela se queixou da falta de força e cansaço muscular, não era o seu dia. Temi que ela abandonasse ainda nos primeiros 5kms e procurei incentiva-la ao máximo. Várias vezes me disse para seguir sem ela, mas por nada a ia deixar sozinha e a decisão estava tomada, iríamos fazer a corrida sempre juntos.
Mas ao km 7 um grande amigo ao alcançar-nos disse que eu podia seguir sozinho e ele iria acompanhá-la sempre até ao final. E assim a partir do km 7 lá segui "sozinho".

Esta foto foi tirada instantes depois de eu a deixar. Eu sigo cá à frente, ela um pouco atrás acompanhada pelo amigo António Cabral. Foto de Luís Mestre.
No lado de Espanha a partir do Km 12 o vento já não era tão forte e a corrida tornou-se um pouco mais fácil apesar de ter começado a sentir alguma falta de força nas pernas.
Ao entrar dentro de Ayamonte o incentivo dos populares deu-me novo animo e os últimos kms foram sempre a bom ritmo. Já na chegada dentro do estádio na volta que se dá à pista senti todo o peso da corrida abater-se sobre as pernas e os últimos 300 metros foram em pleno esforço. 

Eu na chegada. Foto de Luís Santos
Logo após a meta liam-nos o código de barras que vinha no dorsal e uns metros à frente entregavam-nos um papel onde vinha o nosso tempo e classificação. Muito bom mesmo, não precisámos de esperar para chegar a casa e ver os tempos, o lugar, as classificações, etc... Estava tudo concentrado no papel que forneciam.

Os meus dados. Com tempo posição na geral, na categoria e média por Km.
Era-nos também entregue um saco com água, sanduíche e um chocolate. Para quem queria havia ainda coca-cola. E claro, entregaram-nos uma t-shirt técnica como deve ser.


Uns minutos depois chegava ela e o amigo António Cabral.

Na chegada à meta, ela e António Cabral. Curioso que tanto ela como o amigo António Cabral ficaram em 8º dos respectivos escalões (Sénior Femininos e Veteranos V Masculinos). Foto de Luís Santos.

Os resultados finais dos 17,3 km foram:

Eu - 01:13:54 média de 04:16min/km ficando em 157º da geral e 41º do escalão.
Ela - 01:18:38 média de 04:32min/km ficando em 278º da geral e 8ª do escalão.

Algumas curiosidades da prova:

Cortaram a linha da meta 619 atletas masculinos e apenas 75 mulheres num total de 694.
O primeiro em 00:55:42 min.
O Ultimo em 02:02:00 min
A média foi de 01:22:09 min.

É uma prova que queremos repetir , sem qualquer dúvida. A organização é muito boa, havia um público considerável nas ruas de VRSA, Castro Marim e Ayamonte a aplaudir. A distância é apelativa e ainda temos o facto de atravessarmos a fronteira entre Portugal e Espanha a correr. Para o ano a prova será no sentido contrário de Espanha para Portugal e nós vamos querer lá estar.

Até já e boas corridas!

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

8.670... é aproximadamente 10 km

Ontem foi dia da corrida Faro Ativo, prova inserida no Circuito Nacional de Estrada organizada pela Xistarca e Câmara Municipal de Faro, com o patrocínio da Seaside e apoios da Associação de Atletismo do Algarve, Vitalis e CEFAD formação profissional. Teve ainda apoio institucional da Federação Portuguesa de Atletismo, tudo isto de acordo com o folheto informativo (mais à frente explico o porquê de tudo isto).


A prova era um marco importante para os Farenses pois seria talvez a única (e perdoem-me se estou enganado) prova de 10 km realizada em Faro nos últimos anos. Para nós era correr em casa num percurso que conhecíamos como as palmas das nossas mãos. Parte deste percurso decorreu onde treinamos todos os dias.

Sendo assim, ontem bem cedo, com mais uma hora de sono, lá estávamos nós prontos para correr. O dia estava excelente, talvez até um pouco quente na hora a que a prova tinha a partida prevista (10:30). O ambiente era otimo, encontramos muitos conhecidos e colegas das Corridas à 6ª Feira.Por isso, esta seria "A PROVA". 

Relativamente à prova propriamente dita: Percurso circular de duas voltas, sem subidas muito longas e acentuadas, praticamente plano, a estratégia era atacar desde o início. Mais uma vez ela saiu à minha frente mas ao fim de 200/300 mts já a tinha alcançado. Desta vez não a acompanhei pois seria cada um na sua luta. O piso de início tinha alguma calçada perigosa irregular mas mesmo assim o 1º km foi percorrido a 3:50min/km, era o tudo ou nada. Curioso que adotei ao longo de toda a prova uma táctica que muitos usam mas eu pessoalmente nunca o tinha feito, que é ir à"boleia" de outros atletas. Tentei sempre acompanhar alguém que ia à minha frente e na primeira volta fui sempre colado a um atleta. Ao fim  da primeira volta não consegui aguentar o seu ritmo e colei-me a outro que segui de perto, até ao final.
Fiz os 5 kms em 19:50 min já de si um recorde, ela passou aos 21:12 min fulminando o seu recorde dos 5 kms em mais de 3 minutos. 
Na segunda metade da prova já fui a sofrer um pouco, muito calor e principalmente senti falta de força muscular, aspecto que espero vir a melhorar se nos decidirmos tentar evoluir (na altura darei pormenores).

E agora meus amigos até dá vontade de acabar aqui o post, mas não pode ser...

A MUITO MÁ, PÉSSIMA, LAMENTÁVEL E VERGONHOSA verdade é:

De acordo com a organização a prova teria uma distância de aproximadamente 10 km, até aqui tudo bem. Acontece que fomos levantar os dorsais no dia anterior e ninguém nos disse nada sobre a alteração do percurso. Quando chegámos a casa e partilhamos nas redes sociais é que ficámos a ter conhecimento da alteração (de 10 km para 9). 

O meu era 101, o dela o 100.

No dia da prova anunciam (a organização) que a prova se irá desenrolar num percurso circular de 4600 metros cada volta. Ora 2x4600= 9200 metros, certo? NÃO, ERRADO!
A verdade é que o total da prova foi de apenas 8670 metros. E é para isto que nós pagamos. 
Não tenho mais palavras "corretas" sem ser em calão para descrever este tipo de organizações aqui no Algarve. 

Xistarca responsável máximo na organização desta prova dou zero, tantas provas organizadas tanta fama e prestigio na organização de provas de estrada e não conseguem fazer uma prova com 10 km independentemente dos motivos???
Câmara Municipal de Faro, zero, deveriam promover a prática desportiva no conselho apoiando-a incondicionalmente e foi o que se viu;
A Associação de Atletismo do Algarve é melhor nem se pronunciar porque há duas semanas atrás fizeram a mesma merda coisa, tirando 1,5 km a uma meia maratona;
A Vitalis deu uma garrafinha de água, o nosso muito obrigado...
Da Seaside que patrocinou a única coisa que se viu foi o saco onde vinha a T-shirt e a garrafa de água;
No final valha-nos a CEFAD que disponibilizou massagistas, pelo menos destes ninguém reclamou e pela adesão com que estavam no final merecem um louvor;
Para acabar, o tal apoio institucional da Federação Portuguesa de Atletismo, acho que deve ser totalmente bem vindo e louvado, especialmente para os responsáveis da prova aqui em Faro e da passada meia Mamamaratona. É que como podem consultar aqui no site oficial da FPA estão abertas inscrições para o "Curso de Medidores de Provas de Estrada". Só que há um pequeno senão, os candidatos devem possuir certos pré requisitos que notoriamente não têm, como é o caso de: 
"Ter boas noções de aritmética; Ter noções básicas de geometria; Saber trabalhar com calculadoras simples."
E sobre este assunto não vou perder nem mais um minuto do meu precioso tempo.

Os resultados no final foram:

Eu - 35:25 min, ritmo médio de 04:05min/Km(dados do Garmin) - 16º do meu escalão em 61 atletas. seguramente esta foi a minha melhor prestação desde que comecei a correr, fiquei bastante satisfeito comigo mesmo. 

Ela - 37:19 min, ritmo médio de 04:18min/Km(dados do Garmin) - 2ª Sénior Feminina em 26 atletas. Mais uma vez provou que a sua determinação e empenho em cada treino têm dado os seus frutos.

No final estávamos ambos visivelmente felizes com o resultado.

Ela no pódio ao lado da primeira classificada, Ana Cabecinha! 

Peço desculpa pelos desabafos mas é para isso que o blog também serve.

Até já e boas corridas!

sábado, 19 de outubro de 2013

Treino intervalado

Hoje foi dia de ir até à pista fazer umas séries. Com o outono ainda longe a manhã esteve um espectáculo, mais para o quente, mas ainda assim muito boa para a prática de exercício ao ar livre. 

Pista de atletismo de Faro

Normalmente escolho a pista de atletismo de Faro para realizar os treinos intervalados. É muito mais fácil controlar as distâncias, os ritmos são sempre constantes não havendo perigo de ter de parar por causa de algum carro, o piso é  sempre plano sem alteração do piso e no caso de hoje não havia ninguém na pista à hora que fui. Por isso continuou a ser só eu, os meus ténis e os meus pensamentos sem ninguém para me distrair...




O treino em si resumiu-se a 2 km de aquecimento a um ritmo médio/lento e depois (10x400mts) para +/- 1´30" com 90" de repouso passivo e no final mais 2 km de recuperação a um ritmo médio/rápido. É o chamado intervalado extensivo.
Os kms de aquecimento e recuperação é sempre fácil cumprir com os ritmos, já no caso das séries acho que é impossível acertar ao segundo cada volta. No entanto, consegui manter-me quase sempre entre 1´25" e 1´30" por volta que dá mais ou menos 3:30 min/km.


É sempre um tipo de treino muito intenso mas motivante. Ficamos sempre com boas sensações depois de um treino mais forte em que nos esforçamos e suamos a camisola por aquilo que realmente gostamos.

Até já e boas corridas!

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Quem corre por gosto...o treino da corrida.

O livro desta semana é talvez o mais técnico e específico que tenho. É aliás através dele que "cozinho" todos os meus/nossos planos de treino. 


É da autoria do conhecido treinador João Abrantes e foi publicado com o apoio da Xistarca pelos 25 anos da revista atletismo, com a primeira edição em novembro de 2006.

No livro João Abrantes aborda as várias distâncias tais como 100, 400, 800, 1500, 5000, 10000 metros e claro a maratona. Tem ainda um capitulo dedicado ao treino de barreiras. Por outro lado temos uma vertente mais dirigida ao treino dos jovens com direito a alguns capítulos.

Quando li e leio este livro direcciono sempre para os mesmos capítulos. Tal como disse é a partir deste livro que estudei e planeei quase todos os planos de treino. Sou um mero amador que se interessa pela prática de corrida e como tal procuro ser eu a fazer os meus planos, mesmo que esteja a fazer tudo mal, mas é isto que me dá prazer e me envolve mais no mundo da corrida. 
E, de entre os capítulos que mais leio destaco os  relativos aos vários modelos teóricos de planeamento do treino, os capítulos do treino de força e claro os relativos às distâncias longas.

Para um leigo como eu este livro é uma bíblia, muito pequenina é certo, mas não deixa de ser uma referência e uma grande ajuda.
Para quem, tal como eu, é auto-didacta e faz os seus próprios planos de treino aconselho vivamente a adquirirem este livro. Na minha opinião é muito mais de confiança que certos sites da internet que têm planos de treino.

Por exemplo sabiam que são quatros os princípios básicos do treino desportivo? O principio da continuidade; principio da progressão; principio da Alternância e o principio da individualização.

O primeiro diz respeito à continuidade e regularidade do treino, o segundo aborda a progressão tanto da carga como na intensidade do treino, o principio da alternância diz que as diferentes cargas de treino devem alternar entre fortes médios e fracos e o principio da individualização diz respeito às características físicas, psicológicas, sociais e económicas de cada atleta e que devem sempre ser tidas em conta.

No livro podemos também aprender o que é um Microciclo, um Microciclo normal, de recuperação ou de choque. O que é um Mesociclo e um Macrociclo.
No capitulo dedicado aos métodos de treino de resistência ficamos a saber os vários métodos e modelos de treino bem como deve ser planeado cada dia de treino. 

É, sem qualquer dúvida, um livro que todos os que gostam de correr e que são minimamente interessados pelos próprios treinos deveriam ter. 

Até já e boas corridas!

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

QUASE QUASE...Meia Mamamaratona

Ontem participamos na nossa segunda meia maratona. Desta vez fomos até Portimão para correr na II Meia Mamamaratona da Associação de Atletismo do Algarve.


A decisão de ir a esta prova levou algum tempo a ser tomada. Primeiro porque estamos numa maré de provas aqui pelo Algarve todas em cima umas das outras e o tempo para treinar e recuperar entre provas é muito pouco. A segunda razão é que muitos atletas nos falaram mal menos bem desta prova, falta de organização, muitas subidas, percurso circular e monótono, a t-shirt de oferta não valer nada, etc, etc...

Mas depois de muitas considerações  optámos por participar e avaliar por nós mesmos.

Dois dias depois de ir-mos à sede da aaalgarve fazer a inscrição voltamos para levantar os dorsais e realmente a T-shirt era de algodão e serve para tudo menos correr. Por esse motivo, primeiro ponto negativo.


No dia da prova a manhã parecia estar mais para o fresca mas à hora da partida o sol começou a dar o ar da sua graça e já fazia algum calor. Mesmo assim estávamos optimistas e o ambiente pré-competição era muito bom! Estavam presentes muitos atletas nossos conhecidos, todos eles com boa disposição.

Antes ainda da partida ser dada foi tempo para alguns discursos e algumas palavras de incentivo por parte de algumas glórias do atletismo nacional entre eles Ezequiel Canário e Fernanda Ribeiro, entre outras. No palco e a participar na mini mamamaratona de 10,5 kms esteve também  Ana Cabecinha.

Às 10 horas em ponto é dado o tiro de partida e eu ainda não tinha qualquer objectivo de tempo para a prova. Terminar entre 1h:45min e 1h:40min era o mais óbvio e sensato que me ocorria na altura, por outro lado queria muito baixar da hora e quarenta e aproximar-me da hora e meia. No entanto deixei-me ir no primeiro km a ritmo normal, nem muito forte nem muito fraco, simplesmente corri aquele primeiro km muito tranquilo. 

Momento da partida. Foto de Gabriel Clemente.

E como em todas as corridas Ela saiu logo na frente e senti-me obrigado a correr atrás dela.

Ela, já bem posicionada, eu devia vir lá bem ao fundo. Foto de Nelson Inácio.

A meio do segundo Km chego perto dela e decido acompanha-lá ao seu ritmo até meio da prova altura em que, se me sentir bem continuo sozinho, caso contrário acompanho-a até ao final.
A segunda constatação é que a prova tem muito sobe e desce tal como nos tinham alertado (ganho de elevação de 190 mts), mas não encarei isso como um defeito, mas sim como um desafio. A terceira era o percurso circular da prova, que mais uma vez para mim até considero bom. Acabamos por conhecer a segunda metade do percurso mesmo antes de o fazer, já sabemos onde podemos atacar ou abrandar, já sabemos onde vamos a voar e onde vamos a morrer...

Durante os primeiros 10 kms corríamos em conjunto com os atletas da mini, e por um pequeno lance com os da caminhada mas sem qualquer incidente. Os abastecimentos ao longo de toda a prova estavam bem posicionados e não falharam sendo um ponto a favor.

No final da primeira volta vinha a sentir-me muito bem, descontraído e com alguma frescura e disse a ela que iria pra frente tentar apanhar o marcador da 1h e 30min que a essa altura já deveria levar 1 km à nossa frente. Mas ela pediu-me pra me manter com ela porque estava em quebra por aquela altura e precisava de algum apoio. Nessa altura ela ia na terceira posição feminina a uns escassos 10/20 mts da segunda classificada. Por isso corremos mais alguns kms juntos.

Nós lá atrás alguns metros antes da atleta que na altura seguia em segundo lugar. Foto de Nelson Inácio.

Nós mais um colega das corridas à 6ª feira. Foto de Nelson Inácio.

Aqui já no Km 12. Foto de Nelson Inácio.

Ao km 15 ela diz que se sente melhor e que posso seguir. Começo a aumentar o ritmo até à altura em que sinto o coração na boca, e as pernas a latejar, é assim que gosto de correr e sinto que estou a dar o que tenho. Sei que só tenho 6 kms mas mesmo assim mantenho o ritmo sempre com o recorde pessoal em pensamento. Passo alguns atletas já em muito esforço e sinto-me bem porque vim sempre a conter-me e agora quando todos vão a decrescer no rendimento eu vou a aumentar e isso é muito motivador. Quando entro no calçadão da marina que leva ao final da prova, olho para o relógio e  surge a primeira dúvida. Onde raio é que ainda tenho de ir se só vou com 19 kms??? a resposta estava 600mts à minha frente. Não ia a mais lado nenhum porque esta meia maratona só tinha 19,670 kms!




Eu, nos metros finais da prova. Foto de João Gloria.

Assim que acabei foi um misto de sentimentos devido à distancia da prova. A frustração dominava porque sabia que iria bater o meu recorde pessoal se a prova tivesse mais 1,5 kms por outro achava aquilo uma vergonha, uma prova organizada pela aaalgarve e que não cumpria com rigor a distância mencionada no regulamento!

Mas o tempo pra lamentações foi pouco pois tinha de voltar atrás um pouco e apoiá-la na sua reta final.

E poucos minutos depois lá vinha ela com cara de grande esforço, mas para grande orgulho meu já vinha na segunda posição.

Ela na reta final. Foto de João Gloria.

No final tinha-mos à disposição massagem de recuperação, uma boa hidratação e animação no palco.

Na entrega dos prémios houve alguma falta de organização, tudo feito a despachar e à pressa para irem almoçar mais cedo certamente. 

As três vencedoras da meia maratona. Ela à direita da foto. Foto de Gabriel Clemente. 

O prémio para a segunda classificada!

Ela, com a Ana Cabecinha. Foto de Gabriel Clemente.

O balanço no final foi positivo, havia tudo o que era necessário para uma boa prova no entanto o facto de a distância estar MUITO mal medida é de reprovar e não sei se voltaremos a participar.

Por isso em vez de ficarmos a minutos ou segundos do nosso recorde pessoal ficamos a quase um quilometro e meio...

Eu fiz 1h:29:42min, ritmo de 4:34min/km fui 45º da geral e 17º do escalão.
Ela fez 1h:31:43 min, ritmo de 4:41min/km 2ª classificada da geral e 1ª do escalão.


Daqui a duas semanas temos o Faro Ativo, até lá...

Boas corridas e até já!

sábado, 12 de outubro de 2013

Análise da passada

Tal como tinha dito, durante a feira do corredor da Corrida do Tejo tivemos a oportunidade de fazer a análise da passada, tanto no stand da Nike como no do GFD (Gabinete de Fisioterapia no Desporto).

No stand da Nike corríamos numa passadeira enquanto era-mos filmados. No do GFD passava-mos em cima de uma "prancha" que estava ligada a um computador e dava uma podobarografia dinâmica.

Antes de mais importa saber quais os tipos de passada:


A verdade é que nunca liguei muito ao tipo de passada nem tão pouco ao tipo de calçado. Quando queria uns ténis novos comprava em função do aspecto e se me sentia bem com eles calçados. Sempre fui muito séptico relativamente a esta matéria. Acho que estes testes têm uma grande componente comercial e a maior parte só serve pra venderem mais. 

Mas na feira do corredor a análise era gratuita e não custava nada experimentar.
O primeiro foi o da Nike e assim que me preparo para descalçar e subir pra cima da passadeira o técnico disse-me logo: "tchiii, você corre com isso??? já viu bem o seu pé???" Devo ter ficado todo vermelho e pergunte-lhe qual era o problema. Tinha umas Skechers Go Run 2 calçadas. Segundo ele eu tinha uma grande pronação e aqueles ténis eram muito maus para mim. 

Assim que subi para cima da passadeira tive que me agarrar às barras laterais para manter o equilíbrio. O pavilhão da feira encontrava-se sobre um estrado de madeira e toda a passadeira oscilava de um lado para o outro para além de se encontrar ligeiramente inclinada para a direita. Senti-me logo de pé atrás quanto à veracidade da análise. A análise consistia em correr descalço enquanto uma câmera filmava as nossas passadas e posteriormente estas eram analisadas pelo técnico.
Após o primeiro teste o técnico escolhia uns ténis adequados à nossa passada e voltávamos a correr e a ser filmados para vermos a diferença. NOTA: enquanto estive a ver outras pessoas a fazerem o teste todas elas tinham de usar uns ténis diferentes daqueles que tinham calçados.Estranho não??

Eu a correr na passadeira.


O ecrâ onde era efetuada a análise e podiamos posteriormente ver os resultados.
No final o técnico perguntou-me se nunca tive nenhuma lesão, se nunca fiz entorses. Disse-me que tenho uma pronação tão acentuada à esquerda "que se tornava num quebra ossos" segundo ele.
Oh pobre de mim que sou um aleijadinho e tenho os pés tortos, não posso voltar a correr, penso eu. Mas, eis que o senhor se sai logo com uma panóplia de ténis fantásticos e ainda posso vir a ser um corredor fantástico. 

Análise do pé esquerdo. Em cima descalço, em baixo com os ténis recomendados.

Segundo o técnico sou pronador, especialmente acentuado à esquerda. Não posso usar os Skechers porque acentuam ainda mais a minha pronação a  não ser que seja em distâncias nunca superiores a 10 kms. Não posso ainda usar os Asics Nimbus que tenho porque também não são adequadas. O que posso usar são os ténis da Nike que ele me indicou, pelo menos 3 pares diferentes.
Resultado: fiquei pouco convencido, não gostei de fazer uma análise de passada numa passadeira tão instável e gostei menos ainda que o senhor dissesse mal dos meus skechers, por isso não vou seguir o conselho dele e comprar os ténis que me quis impingir :P
Depois passámos para o Stand da GFD. Aqui foram imparciais quanto a marcas. O método utilizado era a podobarografia dinâmica que mostrava qualquer coisa como isto:


Passávamos em cima de uma placa no chão a andar ou a correr e ficava registado no computador as zonas de mais incidência da passada. O problema é que quase não tinhamos espaço para dar mais de 2 passos e isso condicionou a forma como coloquei o pé em cima da placa. 
O resultado foi ligeiramente diferente do anterior. A técnica disse que era ligeiramente pronador, com pouca diferença entre o lado esquerdo e direito e que não devia comprar calçado para pronador mas sim neutro.

Resultado final: NÃO PERCEBO NADA DISTO! Fiquei a saber menos do que antes, por isso vou continuar a usar os meus ténis de sempre :)

Mas claro que tudo isto me despertou o interesse e dediquei algum tempo a pesquisar mais sobre o assunto. Pode ser que um dia faça uma nova análise com melhores condições e que seja imparcial, claro está.

Entretanto encontrei na net este teste, também ele de uma marca de ténis que me pareceu muito fixe.

A conclusão a que chego no final é que temos de ter antes de mais cuidado na escolha dos ténis que usamos, mas no sentido de nos sentir-mos confortáveis. E agora que toda a gente corre e que dizem que a corrida está na "moda" as marcas aproveitam-se mais ainda para vender. Por isso enquanto me for sentido bem com o que calço está tudo bem, e penso que cada um sabe quando o problema está no calçado, eu pessoalmente já pus de lado pelo menos três pares de ténis quase novos porque me estavam a magoar na corrida.

Até já e boas corridas!

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

A maratona de Nova Iorque

Finalmente temos outra vez Internet em casa. Agora já nos podemos dedicar um pouco mais às lides bloguistas :)

E como há muito tempo não falava de um livro, cá está ele!

A maratona de Nova Iorque - Crónica de um corredor acidental, da autoria de António Goucha Soares.



É um dos meus livros de corrida preferidos, o autor é português e a história comum a muitos de nós que temos um blog.
António Goucha Soares é um corredor de fim de semana que decide participar na maratona de Nova Iorque. Daí nasce o seu diário onde relata os seus treinos, as suas preocupações e imprevistos relativamente a tamanha empreitada. 
A primeira impressão com que se fica é que estamos a ler um blog desde o início. Das primeiras vezes que comecei a ler blogs de corrida sentava-me ao computador e lia os blogs desde as primeiras mensagens e a sensação era que estava a ler um livro, uma biografia de alguém com os mesmos problemas e dúvidas que eu. Neste caso é exactamente ao contrário, estava a ler um livro com a sensação de estar a ler um blog.
Em meia dúzia de horas lemos o livro, muito fácil de ler, bastante simples mas muito contagiante. O autor relata ainda algumas das suas corridas como a Corrida do Tejo, a meia maratona de Setúbal ou a sua primeira experiência na maratona de  Lisboa entre muitas outras. 

"Nunca fui atleta, apesar de sempre ter praticado algum tipo de atividade física. Comecei a correr aos quarenta anos, apenas. Com o tempo, fui aumentado as distâncias percorridas e participando em provas populares. No meu imaginário, a maratona representava algo de inalcançavel. Todavia, fascinava-me o esforço, sofrimento e abnegação dos corredores. Quis o acaso que assistisse a algumas transmissões televisivas da maratona de Nova Iorque, depois de começar a correr. Inconscientemente, percebi que gostaria de estar ali, a correr. Porém, faltava-me tudo: fôlego, pernas, resistência, preparação, coragem, conhecimento, determinação. Até que um dia decidi que iria tentar correr a maratona. de Nova Iorque, claramente."

Até já e boas corridas!